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segunda-feira, 14 de maio de 2018

5387 - Seu Aldino nasceu no ano da terrível Gripe Espanhola



Nesta casa, o comerciante Aldino Selbach manteve o seu armazém, 
por várias décadas

O comerciante João Pedro Aldino Selbach (pai da nossa colaboradora Marisa Selbach), nasceu há cem anos, no fatídico ano de 1918, o último da Primeira Guerra Mundial. 
Milhões de pessoas morreram nessa guerra travada na Europa e envolvendo alguns dos países mais civilizados da época, como a Alemanha, Inglaterra e França.
Mas esse ano foi fatídico não apenas por causa da guerra, que não se estendeu até o continente americano. 
Uma outra terrível desgraça espalhou-se pelo mundo inteiro: a gripe espanhola, uma epidemia que - segundo comentava Aldino - matou de três a quatro membros das numerosas famílias da época.


Dados fornecidos por Marisa Selbach, foto do Google Maps

sábado, 12 de maio de 2018

5386 - Assim como Barsília, o Caí nasceu como uma cidade planejada.

A prefeitura do Caí, então chamada de Câmara Municipal, administrava 
um grande município que incluía, inclusive, a atual cidade de Caxias do Sul



A ampliação da foto mostra que o que estava escrito na fachada do prédio 
era Câmara de Municipal


No século XIX não existiam estradas no Vale do Caí e, muito menos na Serra. Por isso o plano do governo imperial era levar os imigrantes até o Porto dos Guimarães, navegando pelo rio Cai. E, de lá, eles teriam de ir a pé até o local onde terras cedidas pelo governo os esperavam: no alto da Serra, .
A imigração era muito importante para o governo do imperador Dom Pedro II e, para concretizar o projeto, o primeiro passo foi criar uma cidade para dar apoio aos imigrantes no ponto máximo até o qual era possível ir de barco no rio Caí.
Esse lugar era o Porto dos Guimarães onde havia apenas um pequeno amontoado de casas.
Para viabilizar a colonização da região serrana (onde hoje existem as cidades de Caxias do Sul e Farroupilha) o governo imperial mandou construir um porto naquele local e, também, uma cidade.
Técnicos planejaram a cidade, com ruas largas e retilíneas. Sem demora foi criado o município de São Sebastião do Caí, com a instalação de uma câmara municipal (que exercia o poder executivo naquela época) e um forum. Tudo isso para que os colonos instalados na serra pudessem contar com um suporte mais próximo deles. Outras cidades, como São Leopoldo eram bem mais distantes.
Assim nasceram a cidade e o município de São Sebastião do Caí,  em 1º de Maio de 1875. e a câmara passou a administrar a região de Caxias do Sul e arredores, onde se instalaram milhares de imigrantes.
Caxias, assim como São José do Hortêncio, Feliz, Bom Princípio e São Vendelino, faziam parte do novo, e gigantesco, município de São Sebastião do Caí.
O tempo demonstrou o governo imperial estava certo ao investir no Caí. Milhares de imigrantes italianos passaram pela cidade e ali receberam algum apoio do governo, além de terras na nova colônia em cima da serra. E a colonização italiana foi um grande sucesso.
Na virada do século XIX para o século XX foi construído um porto em São Sebastião do Cai e uma barragem no Pareci, para tornar mais fácil o intercâmbio comercial da região serrana com o resto do  país e do mundo.
Neste período São Sebastião do Caí tornou-se uma das cidades mais dinâmicas do estado.
Depois que a estrada de ferro que liga Porto Alegre a Caxias do Sul, o porto de São Sebastião do Caí perdeu importância e a cidade mergulhou num período de crescimento lento que acabou lhe tirando o brilho adquirido nas décadas douradas de 1880, 1890 e 1990.
Empresas importantes que haviam se desenvolvido na cidade (Mentz, Renner...) transferiram suas sedes para Porto Alegre e o Caí mergulhou numa fase de estagnação que perdurou por décadas.
Assim como Brasília foi criada artificialmente, no interior do país, em área muito pouco povoada, também o Caí foi criado como parte de um plano de colonização e desenvolvimento.
Caí e Brasília foram criadas artificialmente, obedecendo a um plano e servindo a um grande propósito de interesse nacional: a atração de imigrantes europeus para servirem ao desenvolvimento do país.
OS VEREADORES GOVERNAVAM
Nas primeiras décadas da existência do município, o poder executivo municipal não era exercido por um prefeito, mas sim pelo presidente da Câmara Municipal.
Conforme consta na Wikipedia...

"As câmaras constituíram o primeiro núcleo de exercício político do Brasil. As câmaras e seus edis foram, por diversas vezes, elementos de vital importância para a manutenção do poder de Portugal na Colônia, organizando a resistência às diversas invasões feitas por ingleses, franceses e holandeses. Também, com o surgimento do sentimento nativista, já no século XVII, foram focos de diversas revoltas e distúrbios.

Brasil Império[editar | editar código-fonte]

Com a Independência do Brasil, a autonomia de que gozavam as câmaras municipais é drasticamente diminuída com a Constituição de 1824, e a Lei de 1 de outubro de 1828. A duração da legislatura é fixada em quatro anos e o vereador mais votado assumia a presidência da câmara, visto que até então não havia a figura do "prefeito", a não ser pela presente do alcaide (equivalente a prefeito, com poderes menores).

República[editar | editar código-fonte]

Com a Proclamação da República, as câmaras municipais são dissolvidas e os governos estaduais nomeavam os membros do "conselho de intendência". Em 1905, cria-se a figura do "intendente" que permanecerá até 1930 com o início da Era Vargas. Com a Revolução de 1930 criam-se as prefeituras, às quais serão atribuídas as funções executivas dos municípios. Assim, as câmaras municipais passaram a ter especificamente o papel de casa legislativa.
Durante o Estado Novo, entre 1937 e 1945, as câmaras municipais são fechadas e o poder legislativos dos municípios é extinto. Com a restauração da democracia em 1945, as câmaras municipais são reabertas e começam a tomar a forma que hoje possuem.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

5385 - Cinzas do craque João Nilson Peters foram jogadas no campo do Esporte Clube Rio Branco



Nilson jogou ao lado de Airton e outros grandes craques do Grêmio 
Portoalegrens, na década de 1950
Familiares do craque gremista Nilson Peters fizeram 
homenagem ao grande futebolista do passado





Na segunda feira, dia 30 de abril, familiares e amigos do grande futebolísta Nilson Peters participaram de uma comovente cerimônia realizada no centro do campo de futebol no bairro caiense do Rio Branco. Por volta do meio-dia, os familiares de Nilson Peters espalharam as cinzas trazidas em uma urna do grande craque do futebol. O esportista caiense faleceu em 06 de dezembro de 2017 em Porto Alegre com 84 anos de idade.
Nilson Peters, que foi um grande jogador de futebol profissional tendo atuado em 06 clubes gaúchos nas décadas de 1950/60 (Esperança, Grêmio, Floriano, hoje Novo Hamburgo, Santa Cruz, Grêmio Santanense e Juventude). Era irmão dos craques falecidos - Milton (Brotinho) e Paulo Ildon (Mugica). Nascido no bairro Rio Branco, iniciou jogando com seus irmãos no time do bairro e depois destacou-se profissionalmente no Esperança de Hamburgo Velho, sendo levado em 1956 ao Grêmio FBPA, onde teve companheiros de equipe como Sérgio Moacir T. Nunes, Airton (Pavilhão), Ortunho, Enio Rodrigues, Elton, Milton, Gessy, Juarez e outros craques gremistas.
Estavam presentes na cerimônia realizada no gramado do Rio Branco, a viúva Marisa Peters e seus cinco filhos: Eduardo, Adriana, Patrícia, Débora e Roberta, a irmã do Nilton: Maria Carmem, genros e netos.
O pai do Nilson era Eduardo Acylo Peters que leva o nome do Estádio, área na qual foi construído o atual campo do E. C. Rio Branco. Naquela ocasião da inauguração em 07/09/1986, Nilson esteve presente e deu o ponta-pé inicial do jogo que marcou a inauguração da nova sede do clube.
Iraní Rudolfo Lösch, historiador do futebol regional, fez o registro da solene despedida ao grande futebolista caiense junto à família Peters.


Matéria publicada no jornal Fato Novo com colaboração e Irani Loesch

terça-feira, 8 de maio de 2018

5384 - Perto do primeiro milhão

O rio Caí banha o território que compõem a região do Vale do Caí.
 Juntamente com seus afluentes ele banha os 20 municípios que a integram


O blog Histórias do Vale do Caí foi criado no mês de junho de 2009. Agora, passados quase nove anos do seu início, ele já conta com mais de 5.000 postagens produzidas. O interesse do público se comprova pelo fato do blog estar se aproximando do número de um milhão de visualizações.
Esse número torna-se ainda mais notável se considerarmos que o Vale do Caí é uma região pequena e pouco populosa. Tem em torno de 200 mil habitantes.
Não há, provavelmente, nenhuma outra região brasileira com tanta informação histórica reunida num mesmo endereço de internet. Nem mesmo as regiões metropolitanas do país contam com algo semelhante.
Contando com a fantástica vantagem de poder contar com a ferramenta de busca do blog para localizar os temas que mais interessam ao leitor, o blog se constitui num forte incentivo para aqueles que desejam conhecer melhor a região.
O Vale do Caí tem grandes méritos e uma importância histórica que poucos imaginam.
Por isso, vale a pena conhecer as suas histórias.
Sendo mantido o atual média de visualizações diárias, a marca de um milhão de visualizações deverá ser alcançada em setembro desse ano.

5383 - Feliz: terra da alegria e da qualidade de vida

Feliz se destaca pela sua beleza e pela qualidade de vida que proporciona aos sos seus habitantes.
O município de Feliz está situado no Vale do Caí, encosta inferior do Nordeste, no limiar da Serra Gaúcha.

Com 12.992 habitantes (estimativa IBGE/2013), Feliz preserva as características interioranas e mantém a tradição dos alemães que colonizaram a cidade. Ainda hoje, a população mantém vivas as raízes culturais dos antepassados, imprimindo no seu dia a dia os traços germânicos dos imigrantes. Esse legado pode ser percebido nas fachadas das construções, em jardins de muitas residências e também em diálogos realizados no dialeto alemão.

A valorização da cultura, da educação e o zelo pelo trabalho são algumas das características marcantes do povo felizense. Mas, as festas também fazem parte do dia a dia da população, quer seja por motivos religiosos, como os Kerbs, ou para relembrar a tradição dos antepassados, como o Festival Nacional do Chopp e o Encontro de Cervejarias Artesanais, ou ainda para celebrar a produção agrícola e da agroindústria familiar, o que acontece com a Festa Nacional das Amoras, Morangos e Chantilly - Fenamor.

Criação do Município de Feliz

Em 22 de dezembro de 1888, a então Picada Feliz, foi elevada à condição de Vila, passando então a chamar-se "Vila Feliz".

Em 17 de fevereiro de 1959, através da Lei Estadual 3.726/1959, foi decretada a Emancipação Política do município, que passou a chamar-se "Feliz". Em 31 de maio do mesmo ano, foi realizada a Instalação do Município. Em 1º de junho, assumiu o primeiro prefeito de Feliz, Kurt Walter Graebin, que teve como vice-prefeito Adalberto Weissheimer. Em 25 de julho daquele ano foi aprovada a Lei Orgânica do Município de Feliz.

A emancipação foi associada às reivindicações dos munícipes, realizada através de um Plebiscito. Antes da emancipação, o município pertencia a São Sebastião do Caí.

Origem do nome de Feliz

Há mais de uma versão para explicar a origem do nome do município de Feliz. No entanto, a mais aceita está relacionada a um acontecimento histórico, como consta no "Kozeritz Kalender", de 1962:

"Em 1850, uma comitiva sob o comando do engenheiro Afonso Mabilde foi incumbida de abrir um caminho através da mata dos pinhais e o Campo dos Bugres (Caxias do Sul) aos campos de criação de gado de Vacaria. Este grupo atravessou com uma canoa o rio das Antas, usando uma embarcação como elo de ligação com os já ocupados campos de Vacaria, donde obtinham os mantimentos necessários. Uma enchente, no entanto, teria arrastado a canoa e o grupo de homens se viu obrigado a retornar ao sul. Depois de ficarem muitos dias errantes pelo mato, sofrendo toda sorte de privações e perigos, finalmente teriam encontrado a casa de um colono e saudado este encontro com a exclamação: Oh Feliz! Em lembrança deste fato, a nova picada recebeu o nome de Feliz."

Berço de Qualidade de Vida

Em 1998, Feliz destacou-se como a primeira colocada no ranking dos municípios brasileiros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Naquele ano, Feliz ficou conhecida nacionalmente como a "Cidade de Melhor Qualidade de Vida do Brasil". Foi a primeira vez que o Brasil integrou o grupo dos países com alto IDH, ocupando o 62º lugar no ranking mundial.

Cidade mais alfabetizada do Brasil

Dados do Censo do IBGE 2010 apontaram Feliz como sendo o município com o menor índice de analfabetismo do Brasil. Apenas 0,95% da população adulta não sabe ler nem escrever.

Cidade com o maior índice de desenvolvimento do Rio Grande do Sul

Feliz é o município com maior índice de desenvolvimento do Rio Grande do Sul, de acordo com o Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios (ISDM), lançado pelo Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), em 2012. No Brasil, a cidade ocupa a 5ª posição. Feliz obteve o índice de 6,19, numa escala que varia de 0 a 10.

11ª Cidade mais igualitária do Brasil

Com base no Atlas da Exclusão Social no Brasil, foi elaborado o Índice de Exclusão Social (IES). Feliz obteve os seguintes indicadores: índice de exclusão 0,818, índice de emprego 0,764, índice de pobreza 0,982, índice de desigualdade 0,829, índice de alfabetização 0,994, índice de escolaridade 0,451, índice de juventude 0,721 e índice de violência 1. Esses números colocam Feliz como a 11ª cidade mais igualitária do Brasil.

Matéria publicada na coluna Almanaque Gaúcho, do jornal Zero Hora

5382 - Carta de um imigrante

O atual povoado de Mulfingen, terra de origem do imigrante, 
comemorou, recentemente, os seus mil anos de existência
Mulfingen
Mulfingen
Mulfingen
Coat of arms of Mulfingen
Coat of arms
Mulfingen   is located in Germany
Mulfingen
Mulfingen
show
Location of Mulfingen within Hohenlohekreis district
Coordinates: 49°20′N 9°48′ECoordinates49°20′N 9°48′E
CountryGermany
StateBaden-Württemberg
Admin. regionStuttgart
DistrictHohenlohekreis
Municipal assoc.Krautheim
Government
 • MayorRobert Böhnel
Area
 • Total80.08 km2 (30.92 sq mi)
Elevation263 m (863 ft)
Population (2015-12-31)[1]
 • Total3,700
 • Density46/km2 (120/sq mi)
Time zoneCET/CEST (UTC+1/+2)
Postal codes74673
Dialling codes07938
Vehicle registrationKÜN
Websitewww.mulfingen.de

Mulfingen é um povoado situado no distrito de Hohenlohe, 
em  Baden-Württemberg, na Alemanha


CARTA DE UM EMIGRANTE ENVIADA, EM 1832, PARA SEUS PARENTES 
NA ALEMANHA

Muitos mulfingers (moradores de Mulfinger) abandonaram sua pátria no decorrer dos dois 
últimos séculos; ou eles se mudaram para outras localidades da Alemanha ou se retiraram definitivamente para regiões transoceânicas. Esta última opção especialmente foi muito 
freqüente ao longo do século 19.Através de uma carta de emigrante publicada no 
“Kocher-Jagtboten” em 1832, nós nos tornamos cientes dos difíceis destinos dessas pessoas 
que foram expulsas pela precariedade existencial de sua pátria: “Da Colônia São Leopoldo, 
próxima da cidade de Porto Alegre, no Império do Brasil: escrito a primeiro de janeiro 
de 1832. 

"De toda a minha alma, amado irmão Claudius! 


Que a Santíssima Trindade tenha abençoado a ti e tua cara esposa e filhos até este primeiro 
dia do ano novo com a melhor saúde e prosperidade, com muita paz, alegria, felicidade 
e fortuna! O onipresente, amabilíssimo Deus e Senhor queira tornar feliz e alegrar a ti e aos 
teus, e vosso Santo Anjo da Guarda transmita, sempre sorridente, enlevo e prazer sobre vós; 
nunca as lágrimas da tristeza e do sofrimento deformem os seus semelhantes... 
Com efusiva alegria anuncio a ti, muito amado irmão, que eu com minha mulher e dois filhos, Andreas e Anton, nos sentimos muito bem e com saúde há cinco anos a três quartos nesta longínqua 
parte do mundo; nuca sentimos falta de nada, uma vida abastada nos traz satisfação... 
Veja, primeiro, amado irmão, há quanto tempo nós chegamos aqui e pusemos os pés nesta 
terra, deixando para trás o solo alemão para, a uma distância de 5000 horas, procurar uma 
nova pátria.- a 2 DE DEZEMBRO DE 1825 VELEJAMOS SAINDO DO Elba, em Hamburgo, 
para o mar do Norte no navio “Anna Louisa” conduzido pelo Capitão Knock; no mar do Norte fomos acometidos por um tão violento temporal que o navio foi obrigado a içar as bandeiras de 
socorro; com muito esforço e perigo alcançamos o porto da cidade de Nordkautsch, nele 
ficamos ancorados 14 dias, depois navegamos embora dali com ventos favoráveis, pra 
enfrentarmos um nova tormenta n véspera do Ano Novo de 1826, durante esta tormenta 
julgamos que tudo iria a pique. Este temporal e o enjôo que depois acometeu a mim, a mulher e as crianças foi contudo superado com a ajuda do Senhor Onipotente. Depois sobreveio para 
mim e para minha mulher uma perda assaz dolorosa; prouve ao Condutor e Regente dos 
destinos humanos receber, pela morte, em seu reino de júbilo como um inocente anjo e 
libertar dos inúmeros sofrimentos desta terra, o nosso amado segundo filho, Johann, na 
tenra idade de cinco anos e meio, ele faleceu a 18 de janeiro de 1826 de tuberculose; as ondas 
do mar 
foram seu túmulo, com lágrima e na mais profunda tristeza presenciamos as ondas levarem 
o amado filho para longe dos nossos olhares! Felizmente ultrapassamos a linha do sol 
(Equador) e aportamos, com algum esforço mas sem perigos, no porto de Rio de Janeiro, 
capital e residência do govêrno do Brasil, aportamos no dia 2 de março de 1826. 
Tivemos que permanecer por 14 dias na “Armação”, localidade que fica à direita e oposta à 
cidade; aí nós fomos rica-egratuitamente servidos por conta do imperador, depois um navio 
português nos recebeu. Era 23 de março quando saímos de Armação e navegamos para alto 
mar, já no dia 14 de abril de 1826 alcançamos o porto de Porto Alegre e 3 dias depois 
alcançamos a meta da viagem, era 17 de abril quando pusemos os pés nessa terra contentes e agradecidos ao Senhor Deus todo bondoso que abençoou tão ricamente esse país de 
fertilidade tão variada. 
Mais tarde, no lugar de desembarque foi fundada uma nova cidade onde se radicaram muitos comerciantes e artesãos, ela recebeu o nome de Santa Leopoldina e fica a apenas 8 horas da
cidade de Porto Alegre se o trajeto for feito por terra, se a gente quiser ir via fluvial, leva-se 
mais tempo porque o rio tem muitas curvas e sinuosidades. Da minha colônia até a localidade 
de Santa Leopoldina eu preciso de 3 horas. Ali também há uma capela onde todos os domingos 
tem missa não rezada por padres alemães 
mas portugueses , aqui não há padres alemães da nossa religião. Depois da chegada a este 
país desconhecido tivemos que ficar, por quatro meses, num lugar de encontro dos alemães 
chamado “Feitorim”(Feitoria) até recebermos a nossa propriedade. Recebi a minha terra na 
mata virgem porque a terra livre já há muito tinha sido distribuída. 
A minha propriedade, contudo fica apenas a meia hora de distância das terras da Provincia. 
Minha roça, igual à todos os alemães que habitam a grande floresta virgem, é toda coberta 
por mata mas, apesar disso, fácil de nivelar e preparar para plantação. As árvores são 
derrubadas, a madeira seca pelo calor do sol é queimada e logo se inicia a plantação. Minha 
propriedade, livre e incontestada, compreende 400 Morgen (em português morgo 
corresponde a 0,25 há ou seja 50 por 50 metros-obs do tradutor), um morgo corresponde, 
assim como na Alemanha, a 160 varas (uma vara corresponde a uma braça ou 2,20 metros.
Assim a propriedade do autor da carta era de 100 hectares. (Observação do Tradutor). 
O solo de mato é mais fértil e mais produtivo que o de campo e, nos primeiros 10 anos não 
necessita de adubos nem correção. O milho (Welschkorn) e o feijão são o principal produto, 
mas o centeio e o trigo produzem muito bem além de batata inglesa duas vezes por ano, 
ervilha, lentilha, arroz e cana de açúcar, maçã e pêssegos. Quase todos os produtos agrícolas 
alemães se dão bem aqui, mas frutas de arvore como na Alemanha não se encontram aqui, 
a terra ainda não está preparada para elas. Com o vinho estão sendo feitas as primeiras 
tentativas. 
A criação de gado vacum é importante, dela se obtém manteiga e bastante dinheiro. 
Os porcos podem ser engordados excessivamente. A pecuária é o ramo principal a 
alimentação deste país. Desde que estou na minha colônia, 5 vacas e 5 terneiras além de 
terneiros e bois. No primeiro ano de estada aqui recebemos nós, como qualquer outra família 
alemã, 8 vinténs por dia cada um, no segundo ano 4 vintens por dia, 18 vinténs 
correspondem a um florim, 48 vinténs formam um Taler. Estes 
subsídios recebidos do imperador nos foram de grande valia. Durante 10 anos estamos 
isentos de qualquer tributo e depois desse período os impostos representam muito pouco. 
Tranquilidade e paz são a nossa felicidade todo esse tempo. 
Trabalhar é obrigação de cada pessoa em qualquer lugar se ela quiser ter honestamente 
sucesso. Todos os produtos da terra podem ser colocados facilmente e convertidos em 
dinheiro. Um clima saudável, ar puro, água limpa e saborosa temos aqui. Pelo Natal temos 
o calor mais intenso, mas ele é bem tolerado; tudo verdeja e floresce durante o ano todo e 
duas colheitas (por ano) alegram os habitantes. Neve e gelo, como na Alemanha não temos 
aqui, pouco frio, às vezes geada noturna e muita chuva no inverno daqui os meses de maio, 
junho, julho, agosto.
Eu te informo, também, caro irmão, que Valentim Dewald, com quem eu estive no Rio de 
Janeiro, faleceu num outro distrito territorial Santa Catarina. Meu irmão Michael mora a 
uma hora de distância, também na floresta. Já há três anos sua mulher repousa no seio da 
mãe terra. Meu irmão casou de novo com Katharina Knüppel von Stipshausen da região de 
Koblenz. Meu irmão, co seus dois filhos, está bem e contente com uma boa subsistência. 
Ele envia cordiais saudações a ti e aos teus como também a todos os amigos e conhecidos. 
Eu e minha mulher saudamos muito atenciosamente o senhor padre, o professor, os 
compadres Hammels, as irmãs e os cunhados, o pai da minha mulher e sua prima Magdalena, 
caso o Senhor ainda os mantenha vivos. Adam Schuster, de Laibach, que é meu vizinho aqui, 
saúda muitíssimo seu irmão Michael Schuster 
em Mulfinger. 
Lembranças mil a todos os caros amigos e conhecido. O Senhor os conserve por muito tempo. 
Gostaria de te escrever, caríssimo irmão, muito mais, só que eu não sei onde devo parar 
porque escrever tudo daria um livro inteiro. Só mais uma coisa, que, com muito amor eu 
desejaria, mais uma vez neste mundo, ver-te e apertar-te contra o meu coração fraterno, 
estreitar-te nos meus braços, mas esta alegria dificilmente me será dada, porque eu não 
posso desejar-e não conselho-que tu enfrentes um empreendimento tão difícil e duvidoso 
para, numa zona tão longínqua e ao acaso, tentar uma vida melhor com os teus. 
A única coisa que ainda desejo é que me escrevas o mais breve possível e me comuniques 
como tu vais e os que te são caros, como estão as coisas agora em cãs e finalmente como estão 
as coisas no Reino Alemão, informa também, se a guerra devasta tudo ou se a paz está 
protegendo os teus pertences. 
Por último receba a garantia de que nestes seis anos desde que me despedi de ti, nenhum dia 
se passou sem que me lembrasse de ti. Então, ADEUS a ti com tua estimada esposa e filhos, 
Cristo o Senhor abençoe e proteja a vós, acompanhe-vos em todos os passos até vida eterna! 
Eu sou até o túmulo teu, de todo o coração, irmão leal. 

Johann F. Friedrich "

Carta original extraída do livro dos mil anos de Mulfinger, 1980, , pesquisado por Luis 

Alberto Friedrich, e tradução feita por Mário Silfredo Klassmann em novembro/2002. 
O autor desta carta é meu ancestral imigrante, tataravô, que morava no Travessão no lote 5, 
e ela está arquivada no museu daquela cidade, na Alemanha, e publicada neste livro em 
língua alemã. 
O Travessão Dois Irmãos, também se chama de Schwabenschneiss para identificar o lugar 
do morador que era natural da Suabia, ou Schwaben, pois Mulfinguen é na região sul, 
diferente da maioria dos alemães que eram naturais do Hunsrück. Schwabenschneis era para 
identificar a região onde meu imigrante morava. Luis Alberto Friedrich Fico muito feliz por 
ler uma carta como esta, com tanta história, e com pleno domínio da palavra. A menção 
constante a Deus mostra como os antigos eram devotos e esperançosos, Deus que era a força 
maior na qual os emigrados se agarravam para enfrentar esta jornada além-mar. Johann 
Friedrich era irmão do meu ancestral Michael Josef Friedrich."


Colaboração do engenheiro André Luis Hammann, de Montenegro, 
enviada para o site BrasilAlemanha

segunda-feira, 7 de maio de 2018

5381 - Ônibus que fazia a rota de Alto Feliz a Montenegro

Nos letreiros onde constam os locais de saída e de chegada da linha 
de ônibus constam os nomes Alto Feliz e Montenegro

A linha de ônibus que ligava a cidade de Alto Feliz a Montenegro passava por Feliz, 

onde a travessia do rio Caí era feita através da Ponte de Ferro construída em 1900.
A ponte que hoje existe em São Sebastião do Caí só foi construída em 1970. 

Em Montenegro, a ponte sobre o mesmo rio foi construída por volta de 1960.
Quem ia de Alto Feliz a Porto Alegre usava esse ônibus para ir até Montenegro e outro 
para ir de Montenegro até a capital. Para isso tinha de atravessar novamente o rio Caí 
usando a barca de Montenegro, no Passo do Manduca. Mas podia optar, também por 
fazer o resto da viajem à capital do estado de trem ou de barco.

Foto divulgada no Face da Prefeitura de Feliz

sexta-feira, 4 de maio de 2018

5380 - Bom Princípio de ontem e de hoje

A rua Irmão Weibert, em Bom Principio, um dia foi assim
A visão atual da rua é muito diferente
O prédio que à direita, na foto antiga, aparece onde hoje encontra-se o prédio do Seminário.
Além da estrada e da vegetação ao lado esquerdo dela, impressiona o fato de não existirem construções ao lado esquerdo daquela que era, na época, a principal via pública da localidade.

5379 - São José do Sul: o nome do município

O grande prédio da prefeitura de São José do Sul, 
localidade que já teve três nomes

A localidade onde hoje se encontra São José do Sul nasceu e desenvolveu-se aproximadamente a partir do ano de 1850, quando os primeiros colonos, imigrantes alemães, ali se estabeleceram. 

O primeiro nome da localidade foi Gauerec, o que significa Campo dos Gauer, devido ao grande número de colonos ali residentes terem esse sobrenome. 
Na época da II Guerra Mundial, foi proibido o uso da língua alemã e o nome de localidades em alemão precisou ser mudado. Então passou-se a chamar Dom Diogo, nome colocado pela então Prefeitura Municipal de Montenegro.
CURIOSIDADE
Dom Diogo era uma localidade muito pequena e pouco populosa. Para dar mais razoabilidade à sua emancipação, os líderes do movimento emancipacionistas decidiram incluir a localidade vizinha de São José do Maratá, que era um pouco maior do que Dom Diogo. Pretendiam, com isso, conquistar os votos dos moradores daquela localidade. Por isso foi feita a emancipação com o nome de São José do Sul. 
Por que São José do Sul e não, simplesmente, São José?
Porque já existia, no estado, um outro município chamado São José do Norte, vizinha à cidade porto de Rio Grande.