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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

5254 - Os fundadores da Picada Poço das Antas

Poço das Antas foi criada, em 1878, por uma empresa de São Sebastião do Caí









Pedro Ely Filho, foi o primeiro filho de João Nicolau Ely, um dos nove irmãos Ely chegados à colônia de São Leopoldo em 10 de maio de 1829.
A família fixou-se em São Sebastião do Caí e Pedro nasceu naquela localidade, onde  veio a tornar-se um homem de destaque.  
Ele era agrimensor, função de grande importância naquela época em que lotes de terra precisavam ser medidos antes de serem entregues aos proprietários, inclusive os imigrantes alemães.
Foi ele, inclusive, que fez o trabalho de agrimensura traçando as ruas da cidade. Ele foi, também, um dos primeiros vereadores do município. Como acontecia na época, eram os vereadores que governavam os municípios. Além de Pedro, completavam o trio José Maria de Alencastro e João Jacob Schmidt.
Pedro Ely Junior era casado com Catarina Schneider, com quem teve nove filhos, e era proprietário de terras onde hoje se situa o bairro caiense denominado Vila Rica.
Ele destacou-se também pelo fato de haver criado, em parceria com Jacó Ely e Pedro Weber, uma sociedade denominada Jacob Ely & Weber. Empresa que realizou a venda de lotes na localidade de Poço das Antas, atual município do mesmo nome, foi criado em 1988. Antes disso foi distrito do município de Montenegro.
Em 1995 foi destacado pela Unicef por ser o município brasileiro com menor número de analfabetos entre os jovens com 15 a 17 anos.

Dados extraídos dos livros Poço das Antas, de Frei Pedro Knob e Darciso Knob





5253 - Origem do nome do município de Portão


A origem do nome da cidade de Portão deve-se ao fato de que, entre os anos de 1788 e 1789, por recomendações do governo imperial, foi construído um grande portão que serviria para separar as localidades e, impedir que o gado criado na Estância Velha escapasse pelo arroio, em direção ao Rincão do Cascalho. 
Outra importante função deste portão era a de controlar a movimentação dos escravos, nos limites da Feitoria do Linho Cânhamo, bem como impedir ou controlar o contato dos mesmos com as comunidades locais. 
Nesse período, a atual Rua Julio de Castilhos era apenas uma picada e foi nas proximidades do arroio que ergueram o histórico portão. 
O local ficou conhecido por ser muito usado como referência, pelos viajantes e tropeiros, além da população local. Nas proximidades do dito portão os viajantes costumavam parar e descansar as tropas. Era nas águas limpas do Arroio Portão (na época denominado arroio Correa) que esses viajantes se abasteciam de água e descansavam, para depois, seguirem viagem, tanto os que iam rumo a serra, quanto os que seguiam em direção a capital ou litoral. 
Segundo registro bibliográfico, nos primeiros tempos o portão ficava trancado, sendo aberto por um guarda, que morava nas proximidades e controlava o fluxo de transeuntes. 
Pouco antes da chegada dos alemães, a principal produção da Feitoria do Linho Cânhamo (1) havia sido encerrada.  
Desta maneira, foi possível utilizar como alojamento as benfeitorias nela existentes e que, por sinal, serviram como abrigo inicial para os imigrantes alemães que chegaram em 1824. As plantações dos escravos forneceram os primeiros gêneros alimentícios para os imigrantes. 

 1 - Fibra vegetal que servia para fazer cordas e velas para embarcações.

Capítulo do livro Conhecer para Amar e Respeitar a Nossa História, editado pela prefeitura de Portão

sábado, 13 de janeiro de 2018

5253 - Por um século, Porto Alegre foi uma cidade alemã

O mercado público de Porto Alegre é projeto do arquiteto alemão 
Friedrich Heydtmann, nascido em Hamburgo, Alemanha, em 1802, e falecido 
em Porto Alegre em 1874). Construção: entre 1861 e 1869. 
Foto: Joel Vargas/PMPA. 


Banco Santander, obra do arquiteto alemão Theodor Wiederspahn, como os 
do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (antiga Delegacia da Receita Federal), 
o Memorial do Rio Grande do Sul (Correios e Telégrafos), a Casa de Cultura 
Mario Quintana (Hotel Majestic) e o Edifício Ely, Foto de Juan Pablo Morino.


Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, foi sempre 


a grande referência geográfica, ao lado do Rio de Janeiro, capital 
do Império do Brasil, para os imigrantes alem sa travessia do Atlântico, mas também 
e cada vez mais como ponto de gravitação 
de sua vida econômica nas povoações que foram se formando pelo interior do Estado, preferencialmente junto a rios e lagos, que formavam suas vias naturais de transporte.
Este texto foi preparado para homenagem à Imigração Alemã, em 10/07/2013, 
na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, iniciativa do Vereador João Carlos Nedel



  1. Johann Friedrich, autor de uma das cartas mais antigas preservadas, datada de 1º de janeiro de 1832, referia-se assim à sua passagem por Porto Alegre, pelas águas da Lagoa dos Patos e do Guaíba:

  2. “Depois de 10 dias no Rio de Janeiro, já no dia 14 de abril de 1826 alcançamos o porto de Porto Alegre e três dias depois alcançamos a meta da viagem, era 17 de abril quando pusemos os pés nessa terra, contentes e agradecidos ao Senhor Deus todo bondoso, que abençoou tão ricamente esse país de fertilidade tão variada. Mais tarde, no lugar de desembarque foi fundada uma nova cidade, onde se radicaram muitos comerciantes e artesãos, e ela recebeu o nome de Santa Leopoldina e fica a apenas 8 horas da cidade de Porto Alegre se o trajeto for feito por terra, se a gente quiser ir via fluvial, leva-se mais tempo, porque o rio tem muitas curvas e sinuosidades.” 
  3. Há uma deliciosa historinha contada por um jornalista desta cidade, Flávio Alcaraz Gomes, 
  4. em sua coluna diária no Correio do Povo. Referia-se ele à passagem por Porto Alegre de mais um grupo de imigrantes alemães pelo Guaíba, que, como de praxe, foram cumprimentados a bordo por  um emissário do governo do Estado.  Apesar de preto reluzente, este emissário surpreendeu os viajantes ao lhes dar as boas-vindas num alemão perfeito. Perguntado pelos alemães como podia ele, negro, falar alemão tão bem, resolveu pregar-lhes uma peça: "Olhem - respondeu, sério -  há muitos anos, quando eu cheguei aqui, eu também era branco, como vocês. Mas sabem como é, depois de tantos anos de trabalho sol a sol, fiquei como sou hoje. Também vocês, morando aqui, vão ficar negros como eu". Foi um alvoroço generalizado no barco e quase terminava ali o sonho brasileiro desse grupo de  alemães..., naturalmente ciosos da sua cor, como todos os europeus da época. Acabaram acalmados pelo próprio emissário, 
  5. que revelava notável convivência com alemães já estabelecidos em São Leopoldo, onde havia aprendido perfeitamente o alemão.

  6. Outro jornalista, David Coimbra, da RBS, lembra que já houve touradas e execuções de pena de morte em Porto Alegre. Até o século 19, segundo ele, a cidade e o Estado sofriam grande influência ibérica. A partir de 1824, os alemães começaram a chegar. E aí, segundo Coimbra, Porto Alegre se “germanizou”.  E acrescenta: "No princípio do século 20, Porto Alegre era uma cidade de típica ascendência alemã, o que lhe restou inscrito no corpo e na alma. Está na gastronomia. O Chalé da Praça 15 é um remanescente de tantos bares e restaurantes alemães que se espalharam pela cidade. Alguns ainda vigem, resistindo bravamente com seus chopes cremosos e dourados, seus sanduíches abertos de lombinho, seus rahmschnitzels, seus praetzels, seus hackepeters. Já o bairro Moinhos de Vento é um testemunho de pedra da arquitetura alemã, com seu casario elegante e suas ruas arborizadas".

  7. O próprio Hospital Moinhos de Vento nasceu Deutsches Krankenhaus – Hospital Alemão. E até a Santa Casa, bem anterior à chegada dos alemães, acabou salva da autoproclamada situação de UTI por um ilustre descendente de alemães, cardeal Dom Vicente Scherer, e sua equipe, no início da década de 1980.

  8. O já citado  Flávio Alcaraz Gomes escreveu certa vez, com muita propriedade: "Se não tivesse havido aquela estúpida perseguição aos teuto e ítalo-brasileiros, nos tempos da II Guerra Mundial – um verdadeiro genocídio cultural – o Sul do Brasil poderia hoje ser oficialmente trilíngue, com toda a sua riqueza pluricultural!"

  9. Se ficarmos no terreno da arquitetura, sites variados nos ensinam que o Centro da capital gaúcha ainda ostenta uma série de prédios históricos de diferentes estilos arquitetônicos. Nas décadas de 1940 e 1950, a silhueta de Porto Alegre parecia mais um centro histórico de qualquer cidade europeia atual do que esta mescla de prédios antigos e novos, na qual, felizmente, escaparam, entre outros,  diversos edifícios históricos concebidos por arquitetos alemães – a começar pelo Mercado Público, concluído em 1869, projeto do arquiteto alemão Friedrich Heydtmann, originariamente com um só pavimento, e patrimônio cultural da cidade, que há poucos dias nos pregou um tremendo susto. Já a construção da Usina do Gasômetro não teve participação de arquiteto alemão, mas sua torre de 107 metros foi mandada construir pelo prefeito Alberto Bins, para livrar os moradores na ponta da cidade da fumaça e mau cheiro provenientes da Usina de abastecimento energético a gás.

  10. A Casa de Cultura Mário Quintana, antigo hotel de luxo, chamado Hotel Majestic, é apenas um dos numerosos prédios majestosos que outro arquiteto alemão, o até hoje esquecido e injustiçado Theo Wiederspahn, espalhou pela cidade. Devemos a seu talento os suntuosos prédios do MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, da Alfândega, dos Correios – atual Memorial do RS, do antigo Banco do Comércio - hoje Santander Cultural, da Casa Ely – atual lojas Tumelero em frente à Rodoviária, dos edifícios Chaves e Bier e Ullmann, do Hospital Moinhos de Vento, do conjunto de prédios da Cervejaria Bopp - Continental, depois Brahma e atual Shopping Total, da antiga Faculdade de Medicina da UFRGS e também diversos armazéns na Rua Voluntários da Pátria, o antigo Moinho Chaves, no bairro Navegantes, assim como residências, palacetes e casas comerciais, além de importantes prédios e igrejas por várias cidades do interior do RS. Em 1933, com a exigência do registro profissional, Theo foi rebaixado para a categoria de "construtor licenciado", passando, então, a trabalhar para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, onde teve suas atividades novamente interrompidas durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de já naturalizado brasileiro. Theo teve tanta visibilidade e tanta fama que ainda hoje é lembrado como o maior arquiteto gaúcho de todos os tempos. Morreu aos 73 anos.  Até mesmo o Theatro São Pedro nasceu do talento de um alemão, Philip von Normann, nascido em Dresden. E sua obra foi totalmente restaurada e está sendo ampliada com o Multipalco pelo talento e dedicação ímpar de outra alemã, Eva Sopher, homenageada com o prêmio Distinção Imigração Alemã, como representante da Capital e Região Metropolitana na edição de 2012.

  11. Também os clubes de Porto Alegre, em sua grande parte, são produto da cultura associativa dos alemães, que levam a fama de fundarem logo um clube quando dois ou três deles se encontram. Com a prática esportiva eles associavam também a preservação de sua cultura, a socialização e o lazer. A “ginástica” foi a prática escolhida pelos imigrantes alemães quando fundaram o primeiro clube em Porto Alegre, a “Sociedade Ginástica Porto Alegre, em 1867” – a Sogipa. Na época, o turfe era uma prática identificadora dos luso-brasileiros e os prados tornaram-se os principais espaços de sociabilidades e lazer deste grupo social em Porto Alegre.

  12. Os clubes dos alemães dedicavam-se à ginástica, aos jogos coletivos, ao tiro ao alvo, a caminhadas, ao ciclismo, ao teatro e ao canto coral. O esporte - e em particular a ginástica - era um meio de educar o jovem para a nação, incutindo preceitos morais e tornando o cidadão um indivíduo saudável. Outros clubes e sociedades fundadas por alemães surgiram ao natural: o Grêmio Náutico União; a Sociedade Germânia, o Veleiros do Sul, o Clube dos Jangadeiros, o Iate Clube Guaíba-Porto Alegre, o Clube de Regatas Almirante Barroso – antigo Ruder Club Porto Alegre, a Sociedade Leopoldina Juvenil, o Schützenverein, hoje Clube dos Caixeiros Viajantes, a Sociedade União Popular – o Volksverein, hoje Associação Theodor Amstad com sede em Nova Petrópolis, o Centro Cultural 25 de Julho  e naturalmente o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No mesmo dia 15 de setembro de 1903 era criado também o Fuss-Ball Club de Porto Alegre. Ambos eram amplamente dominados pela presença germânica. O Fuss-Ball ("futebol" em alemão)  era completamente fechado à participação de indivíduos externos a esta comunidade. O Grêmio FBPA, por sua vez, se apresentava como uma espécie de clube alemão sem restrições absolutas a elementos alheios àquela comunidade, pois dentre os seus 23 fundadores, havia quatro nomes não-germânicos. Trata-se da reprodução, no âmbito particular do futebol, de uma situação que se generalizava na vida social da Porto Alegre de então - a "cidade dos alemães".

  13. No inicio do século XX, o Rio Grande do Sul já possuía também numerosos estabelecimentos industriais, com uma produção bastante diversificada. O censo de 1907 colocava o Rio Grande do Sul em igualdade de condições com São Paulo quanto ao número de operários ocupados e valor da produção. A partir de então, o crescimento industrial foi mais intenso no estado de São Paulo, especialmente por questões de limitação do mercado regional gaúcho em comparação com o mercado nacional atendido pela indústria paulista, e também pelo maior acúmulo de capital garantido pela produção e exportação do café. Na área industrial notabilizavam-se as Indústrias Renner, os Fogões Berta, Wallig e Geral, a Chocolates Neugebauer, o Laboratório Wesp, a Cervejaria Continental, o Grupo Gerdau, entre muitos outros. Na área comercial, a Casa Bromberg; na área dos transportes, a Viação Ouro e Prata, as companhias de navegação e a portentosa VARIG; na área de ensino, os Colégios Pastor Dohms, Concórdia, Farroupilha – antiga Escola Alemã  ou Deutsche Schule; na área eclesiástica, as igrejas São José, na Alberto Bins, dos Navegantes, no bairro Navegantes, a igreja da Reconciliação na Senhor dos Passos, e a igreja da Comunidade Cristo na Presidente Roosevelt.

  14. Uma Porto Alegre bem menos alemã que a de 100 ou a de 60 anos atrás testemunha, ainda assim, uma presença bastante marcante. São marcos desta presença o próprio Consulado Geral da Alemanha, o Instituto Cultural Brasileiro Alemão associado ao Instituto Goethe, a Câmara de Comércio e Indústria BrasilAlemanha,  o Centro Cultural 25 de Julho com seu Coro Masculino, o Colégio Farroupilha, o Colégio Pastor Dohms, o Colégio Anchieta e a PUCRS com seus professores de origem e formação alemãs, a Livraria Pe. Reus e seu Calendário Familienkalender, a Livraria Hermann, os monumentos alemães em praças e avenidas da capital, os nomes de ruas com sobrenomes alemães por toda parte, os restaurantes Ratskeller/Baumbach, Schneider, Schullas, Tirol, Chopp Stübel, Steinhaus, entre outros, os clubes sociais e esportivos hoje cada vez mais heterogêneos, as igrejas católica e evangélicas, as praças e ruas coloridas e arborizadas, o esporte aquático e tantas outras manifestações do modo de viver de inspiração alemã.

  15. Mas a forte presença alemã em Porto Alegre não se limita ao seu passado e presente. Estamos em plena Temporada da Alemanha no Brasil, dedicada à intensificação ainda maior das relações e intercâmbios Brasil-Alemanha, por iniciativa do Governo alemão, da Confederação da Indústria Alemã,  da Confederação Nacional da Indústria do Brasil, das Câmaras Brasil-Alemanha e dos Institutos Goethe, já em pleno andamento, de maio de 2013 a junho de 2014, em todo o Brasil, com centenas de iniciativas nas mais diversa áreas.

  16. Aqui no Estado, estamos em pleno Biênio 189-190 Anos da Imigração Alemã 1824 a 2013/2014, com desdobramentos já neste mês de julho, entre os quais se destaca o presente ato solene. Já no próximo dia 18 de julho, 5ª feira, teremos no Centro Cultural 25 de Julho, no bairro Auxiliadora, a solenidade de premiação Distinção Imigração Alemã 2013, com a entrega de placa e brasão ao Prof.  Dr. Blásio Artur Rambo, da Unisinos de São Leopoldo, representando a região metropolitana de Porto Alegre, por seus aprofundados estudos e publicações sobre a etnia alemã; e ao jornalista Hugo Hammes, assessor de imprensa e agente cultural, representando o interior do Estado, vinculado à Associação Theodor Amstad, de Nova Petrópolis, por sua constante luta em prol da cultura alemã. O dia 18 de Julho assinala a data da passagem por Porto Alegre do grupo pioneiro de 39 imigrantes alemães que, uma semana depois, chegaria a São Leopoldo, no dia 25 de julho de 1824. E falando em São Leopoldo, a cidade-berço da imigração alemã no Brasil vai realizar a 22ª São Leopoldo Fest de 24 a 28 de julho no Ginásio Celso Morbach e no Largo Rui Porto. Por todo o interior do Estado, o dia 25 de Julho, dedicado à Imigração Alemã, será comemorado com muita empolgação.

  17. Mas sopram novos ventos e a imigração alemã no Brasil não pode se cristalizar no passado e nem no presente. Cultura alemã sempre se destacou por sua tradição e muita inovação.  E é assim que, num mundo cada vez mais globalizado, os descendentes de alemães, acreditando nas amplas vantagens da diversidade cultural para o desenvolvimento de nosso Brasil, estão descobrindo as vantagens diretas de parcerias com cidades alemãs com  as quais descobrem mais afinidades. Parcerias já foram estabelecidas entre São Vendelino e Skt. Wendel, Bom Princípio e Klüsserat, Ivoti e Rottenburg, Arroio do Meio e Boppard, Salvador do Sul e Dickenschied, Igrejinha e Simmern, São Lourenço do Sul e Sponheim e Feliz e Nohfelden. E novas parcerias estão a caminho.

  18. Agradecemos ao vereador João Carlos Nedel esta excelente oportunidade de expormos a vitalidade e os desafios que animam a comunidade alemã de Porto Alegre para o benefício de toda a nossa cidade, nosso Estado e nosso País através do estreitamento dos intercâmbios com a Alemanha, país que segundo as últimas quatro pesquisas mundiais da BBC de Londres é apontada como o país de influência mais positiva no mundo atual.

  19. E a todas as senhoras e senhores, o nosso muito obrigado por sua obsequiosa atenção.

  20. *
  21. Neste contexto insere-se como uma luva a matéria, publicada coincidentemente no dia 11 de julho de 2013, pelo jornal Zero Hora, na página Almanaque Gaúcho, assinada pelo jornalista Ricardo Chaves, com base em relato da legendária Revista do Globo, então sob a direção de Érico Veríssimo. Só que surge então, longe daqui, o maior flagelo da humanidade... Canhões e bombas rugem e explodem em outros continentes, mas raios devastadores caem também por aqui.
  22.  
  23.  A hidráulica em 1939
  24. "Porto Alegre atingiu, nos dias que correm, as culminâncias da sua vitalidade. Como um organismo transbordante de vida, a cidade parece que foi tomada de uma empolgante febre renovadora."
  25. Assim começa um dos textos publicados em setembro de 1939 na Revista do Globo. Havia nessa época um visível deslumbramento com o que vinha acontecendo na Capital no decênio anterior. Não por acaso, a legenda da foto abaixo dizia ser esta "uma das paisagens aéreas mais belas da capital gaúcha: o elegante arrabalde Moinhos de Vento com a Hidráulica Municipal ao centro".


  26. A hidráulica 
  27. Foto: Santos Vidarte, Revista do Globo, reprodução
  28. Inaugurada em 1928 pelo prefeito Alberto Bins, com arquitetura inspirada no Palácio de Versalhes e seus jardins, a área limitada pelas ruas 24 de Outubro (ao alto, à esquerda), Doutor Valle (ao alto, à direita), Fernando Gomes (à esquerda, em curva), Hilário Ribeiro (na parte inferior da imagem) e Santo Inácio (à direita) era o símbolo da "vibração e sinfonia de uma cidade moderna, culta e civilizada...".

  29. *
  30. Sobre a constrangedora invasão da Câmara de Vereadores, que perdurou oito longos dias, com direito a liminares a favor e contra, divisão entre vereadores, agressões físicas, nudismo explícito e constrangimentos de toda ordem, veja os relatos da mídia. Os tempos realmente são outros... Redação BrasilAlemanha.
  31. Texto de Sílvio Aoysio Rockenbach
  32. ães, que começaram a chegar ao extremo Sul do Brasil a partir de julho de 1824 – menos de dois anos após a proclamação da nossa independência de Portugal em 1822. As referências à capital aparecem não apenas nos relatos de viagem após uma longa e perigosa travessia do Atlântico, mas também e cada vez mais como ponto de gravitação de sua vida econômica nas povoações que foram se formando pelo interior do Estado, preferencialmente junto a rios e lagos, que formavam suas vias naturais de transporte.

  33. Johann Friedrich, autor de uma das cartas mais antigas preservadas, datada de 1º de janeiro de 1832, referia-se assim à sua passagem por Porto Alegre, pelas águas da Lagoa dos Patos e do Guaíba:

  34. “Depois de 10 dias no Rio de Janeiro, já no dia 14 de abril de 1826 alcançamos o porto de Porto Alegre e três dias depois alcançamos a meta da viagem, era 17 de abril quando pusemos os pés nessa terra, contentes e agradecidos ao Senhor Deus todo bondoso, que abençoou tão ricamente esse país de fertilidade tão variada. Mais tarde, no lugar de desembarque foi fundada uma nova cidade, onde se radicaram muitos comerciantes e artesãos, e ela recebeu o nome de Santa Leopoldina e fica a apenas 8 horas da cidade de Porto Alegre se o trajeto for feito por terra, se a gente quiser ir via fluvial, leva-se mais tempo, porque o rio tem muitas curvas e sinuosidades.” 
  35. Há uma deliciosa historinha contada por um jornalista desta cidade, Flávio Alcaraz Gomes, em sua coluna diária no Correio do Povo. Referia-se ele à passagem por Porto Alegre de mais um grupo de imigrantes alemães pelo Guaíba, que, como de praxe, foram cumprimentados a bordo por  um emissário do governo do Estado.  Apesar de preto reluzente, este emissário surpreendeu os viajantes ao lhes dar as boas-vindas num alemão perfeito. Perguntado pelos alemães como podia ele, negro, falar alemão tão bem, resolveu pregar-lhes uma peça: "Olhem - respondeu, sério -  há muitos anos, quando eu cheguei aqui, eu também era branco, como vocês. Mas sabem como é, depois de tantos anos de trabalho sol a sol, fiquei como sou hoje. Também vocês, morando aqui, vão ficar negros como eu". Foi um alvoroço generalizado no barco e quase terminava ali o sonho brasileiro desse grupo de  alemães..., naturalmente ciosos da sua cor, como todos os europeus da época. Acabaram acalmados pelo próprio emissário, que revelava notável convivência com alemães já estabelecidos em São Leopoldo, onde havia aprendido perfeitamente o alemão.

  36. Outro jornalista, David Coimbra, da RBS, lembra que já houve touradas e execuções de pena de morte em Porto Alegre. Até o século 19, segundo ele, a cidade e o Estado sofriam grande influência ibérica. A partir de 1824, os alemães começaram a chegar. E aí, segundo Coimbra, Porto Alegre se “germanizou”.  E acrescenta: "No princípio do século 20, Porto Alegre era uma cidade de típica ascendência alemã, o que lhe restou inscrito no corpo e na alma. Está na gastronomia. O Chalé da Praça 15 é um remanescente de tantos bares e restaurantes alemães que se espalharam pela cidade. Alguns ainda vigem, resistindo bravamente com seus chopes cremosos e dourados, seus sanduíches abertos de lombinho, seus rahmschnitzels, seus praetzels, seus hackepeters. Já o bairro Moinhos de Vento é um testemunho de pedra da arquitetura alemã, com seu casario elegante e suas ruas arborizadas".

  37. O próprio Hospital Moinhos de Vento nasceu Deutsches Krankenhaus – Hospital Alemão. E até a Santa Casa, bem anterior à chegada dos alemães, acabou salva da autoproclamada situação de UTI por um ilustre descendente de alemães, cardeal Dom Vicente Scherer, e sua equipe, no início da década de 1980.

  38. O já citado  Flávio Alcaraz Gomes escreveu certa vez, com muita propriedade: "Se não tivesse havido aquela estúpida perseguição aos teuto e ítalo-brasileiros, nos tempos da II Guerra Mundial – um verdadeiro genocídio cultural – o Sul do Brasil poderia hoje ser oficialmente trilíngue, com toda a sua riqueza pluricultural!"

  39. Se ficarmos no terreno da arquitetura, sites variados nos ensinam que o Centro da capital gaúcha ainda ostenta uma série de prédios históricos de diferentes estilos arquitetônicos. Nas décadas de 1940 e 1950, a silhueta de Porto Alegre parecia mais um centro histórico de qualquer cidade europeia atual do que esta mescla de prédios antigos e novos, na qual, felizmente, escaparam, entre outros,  diversos edifícios históricos concebidos por arquitetos alemães – a começar pelo Mercado Público, concluído em 1869, projeto do arquiteto alemão Friedrich Heydtmann, originariamente com um só pavimento, e patrimônio cultural da cidade, que há poucos dias nos pregou um tremendo susto. Já a construção da Usina do Gasômetro não teve participação de arquiteto alemão, mas sua torre de 107 metros foi mandada construir pelo prefeito Alberto Bins, para livrar os moradores na ponta da cidade da fumaça e mau cheiro provenientes da Usina de abastecimento energético a gás.

  40. A Casa de Cultura Mário Quintana, antigo hotel de luxo, chamado Hotel Majestic, é apenas um dos numerosos prédios majestosos que outro arquiteto alemão, o até hoje esquecido e injustiçado Theo Wiederspahn, espalhou pela cidade. Devemos a seu talento os suntuosos prédios do MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, da Alfândega, dos Correios – atual Memorial do RS, do antigo Banco do Comércio - hoje Santander Cultural, da Casa Ely – atual lojas Tumelero em frente à Rodoviária, dos edifícios Chaves e Bier e Ullmann, do Hospital Moinhos de Vento, do conjunto de prédios da Cervejaria Bopp - Continental, depois Brahma e atual Shopping Total, da antiga Faculdade de Medicina da UFRGS e também diversos armazéns na Rua Voluntários da Pátria, o antigo Moinho Chaves, no bairro Navegantes, assim como residências, palacetes e casas comerciais, além de importantes prédios e igrejas por várias cidades do interior do RS. Em 1933, com a exigência do registro profissional, Theo foi rebaixado para a categoria de "construtor licenciado", passando, então, a trabalhar para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, onde teve suas atividades novamente interrompidas durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de já naturalizado brasileiro. Theo teve tanta visibilidade e tanta fama que ainda hoje é lembrado como o maior arquiteto gaúcho de todos os tempos. Morreu aos 73 anos.  Até mesmo o Theatro São Pedro nasceu do talento de um alemão, Philip von Normann, nascido em Dresden. E sua obra foi totalmente restaurada e está sendo ampliada com o Multipalco pelo talento e dedicação ímpar de outra alemã, Eva Sopher, homenageada com o prêmio Distinção Imigração Alemã, como representante da Capital e Região Metropolitana na edição de 2012.

  41. Também os clubes de Porto Alegre, em sua grande parte, são produto da cultura associativa dos alemães, que levam a fama de fundarem logo um clube quando dois ou três deles se encontram. Com a prática esportiva eles associavam também a preservação de sua cultura, a socialização e o lazer. A “ginástica” foi a prática escolhida pelos imigrantes alemães quando fundaram o primeiro clube em Porto Alegre, a “Sociedade Ginástica Porto Alegre, em 1867” – a Sogipa. Na época, o turfe era uma prática identificadora dos luso-brasileiros e os prados tornaram-se os principais espaços de sociabilidades e lazer deste grupo social em Porto Alegre.

  42. Os clubes dos alemães dedicavam-se à ginástica, aos jogos coletivos, ao tiro ao alvo, a caminhadas, ao ciclismo, ao teatro e ao canto coral. O esporte - e em particular a ginástica - era um meio de educar o jovem para a nação, incutindo preceitos morais e tornando o cidadão um indivíduo saudável. Outros clubes e sociedades fundadas por alemães surgiram ao natural: o Grêmio Náutico União; a Sociedade Germânia, o Veleiros do Sul, o Clube dos Jangadeiros, o Iate Clube Guaíba-Porto Alegre, o Clube de Regatas Almirante Barroso – antigo Ruder Club Porto Alegre, a Sociedade Leopoldina Juvenil, o Schützenverein, hoje Clube dos Caixeiros Viajantes, a Sociedade União Popular – o Volksverein, hoje Associação Theodor Amstad com sede em Nova Petrópolis, o Centro Cultural 25 de Julho  e naturalmente o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No mesmo dia 15 de setembro de 1903 era criado também o Fuss-Ball Club de Porto Alegre. Ambos eram amplamente dominados pela presença germânica. O Fuss-Ball ("futebol" em alemão)  era completamente fechado à participação de indivíduos externos a esta comunidade. O Grêmio FBPA, por sua vez, se apresentava como uma espécie de clube alemão sem restrições absolutas a elementos alheios àquela comunidade, pois dentre os seus 23 fundadores, havia quatro nomes não-germânicos. Trata-se da reprodução, no âmbito particular do futebol, de uma situação que se generalizava na vida social da Porto Alegre de então - a "cidade dos alemães".

  43. No inicio do século XX, o Rio Grande do Sul já possuía também numerosos estabelecimentos industriais, com uma produção bastante diversificada. O censo de 1907 colocava o Rio Grande do Sul em igualdade de condições com São Paulo quanto ao número de operários ocupados e valor da produção. A partir de então, o crescimento industrial foi mais intenso no estado de São Paulo, especialmente por questões de limitação do mercado regional gaúcho em comparação com o mercado nacional atendido pela indústria paulista, e também pelo maior acúmulo de capital garantido pela produção e exportação do café. Na área industrial notabilizavam-se as Indústrias Renner, os Fogões Berta, Wallig e Geral, a Chocolates Neugebauer, o Laboratório Wesp, a Cervejaria Continental, o Grupo Gerdau, entre muitos outros. Na área comercial, a Casa Bromberg; na área dos transportes, a Viação Ouro e Prata, as companhias de navegação e a portentosa VARIG; na área de ensino, os Colégios Pastor Dohms, Concórdia, Farroupilha – antiga Escola Alemã  ou Deutsche Schule; na área eclesiástica, as igrejas São José, na Alberto Bins, dos Navegantes, no bairro Navegantes, a igreja da Reconciliação na Senhor dos Passos, e a igreja da Comunidade Cristo na Presidente Roosevelt.

  44. Uma Porto Alegre bem menos alemã que a de 100 ou a de 60 anos atrás testemunha, ainda assim, uma presença bastante marcante. São marcos desta presença o próprio Consulado Geral da Alemanha, o Instituto Cultural Brasileiro Alemão associado ao Instituto Goethe, a Câmara de Comércio e Indústria BrasilAlemanha,  o Centro Cultural 25 de Julho com seu Coro Masculino, o Colégio Farroupilha, o Colégio Pastor Dohms, o Colégio Anchieta e a PUCRS com seus professores de origem e formação alemãs, a Livraria Pe. Reus e seu Calendário Familienkalender, a Livraria Hermann, os monumentos alemães em praças e avenidas da capital, os nomes de ruas com sobrenomes alemães por toda parte, os restaurantes Ratskeller/Baumbach, Schneider, Schullas, Tirol, Chopp Stübel, Steinhaus, entre outros, os clubes sociais e esportivos hoje cada vez mais heterogêneos, as igrejas católica e evangélicas, as praças e ruas coloridas e arborizadas, o esporte aquático e tantas outras manifestações do modo de viver de inspiração alemã.

  45. Mas a forte presença alemã em Porto Alegre não se limita ao seu passado e presente. Estamos em plena Temporada da Alemanha no Brasil, dedicada à intensificação ainda maior das relações e intercâmbios Brasil-Alemanha, por iniciativa do Governo alemão, da Confederação da Indústria Alemã,  da Confederação Nacional da Indústria do Brasil, das Câmaras Brasil-Alemanha e dos Institutos Goethe, já em pleno andamento, de maio de 2013 a junho de 2014, em todo o Brasil, com centenas de iniciativas nas mais diversa áreas.

  46. Aqui no Estado, estamos em pleno Biênio 189-190 Anos da Imigração Alemã 1824 a 2013/2014, com desdobramentos já neste mês de julho, entre os quais se destaca o presente ato solene. Já no próximo dia 18 de julho, 5ª feira, teremos no Centro Cultural 25 de Julho, no bairro Auxiliadora, a solenidade de premiação Distinção Imigração Alemã 2013, com a entrega de placa e brasão ao Prof.  Dr. Blásio Artur Rambo, da Unisinos de São Leopoldo, representando a região metropolitana de Porto Alegre, por seus aprofundados estudos e publicações sobre a etnia alemã; e ao jornalista Hugo Hammes, assessor de imprensa e agente cultural, representando o interior do Estado, vinculado à Associação Theodor Amstad, de Nova Petrópolis, por sua constante luta em prol da cultura alemã. O dia 18 de Julho assinala a data da passagem por Porto Alegre do grupo pioneiro de 39 imigrantes alemães que, uma semana depois, chegaria a São Leopoldo, no dia 25 de julho de 1824. E falando em São Leopoldo, a cidade-berço da imigração alemã no Brasil vai realizar a 22ª São Leopoldo Fest de 24 a 28 de julho no Ginásio Celso Morbach e no Largo Rui Porto. Por todo o interior do Estado, o dia 25 de Julho, dedicado à Imigração Alemã, será comemorado com muita empolgação.

  47. Mas sopram novos ventos e a imigração alemã no Brasil não pode se cristalizar no passado e nem no presente. Cultura alemã sempre se destacou por sua tradição e muita inovação.  E é assim que, num mundo cada vez mais globalizado, os descendentes de alemães, acreditando nas amplas vantagens da diversidade cultural para o desenvolvimento de nosso Brasil, estão descobrindo as vantagens diretas de parcerias com cidades alemãs com  as quais descobrem mais afinidades. Parcerias já foram estabelecidas entre São Vendelino e Skt. Wendel, Bom Princípio e Klüsserat, Ivoti e Rottenburg, Arroio do Meio e Boppard, Salvador do Sul e Dickenschied, Igrejinha e Simmern, São Lourenço do Sul e Sponheim e Feliz e Nohfelden. E novas parcerias estão a caminho.

  48. Agradecemos ao vereador João Carlos Nedel esta excelente oportunidade de expormos a vitalidade e os desafios que animam a comunidade alemã de Porto Alegre para o benefício de toda a nossa cidade, nosso Estado e nosso País através do estreitamento dos intercâmbios com a Alemanha, país que segundo as últimas quatro pesquisas mundiais da BBC de Londres é apontada como o país de influência mais positiva no mundo atual.

  49. E a todas as senhoras e senhores, o nosso muito obrigado por sua obsequiosa atenção.

  50. *
  51. Neste contexto insere-se como uma luva a matéria, publicada coincidentemente no dia 11 de julho de 2013, pelo jornal Zero Hora, na página Almanaque Gaúcho, assinada pelo jornalista Ricardo Chaves, com base em relato da legendária Revista do Globo, então sob a direção de Érico Veríssimo. Só que surge então, longe daqui, o maior flagelo da humanidade... Canhões e bombas rugem e explodem em outros continentes, mas raios devastadores caem também por aqui.
  52.  
  53.  A hidráulica em 1939
  54. "Porto Alegre atingiu, nos dias que correm, as culminâncias da sua vitalidade. Como um organismo transbordante de vida, a cidade parece que foi tomada de uma empolgante febre renovadora."
  55. Assim começa um dos textos publicados em setembro de 1939 na Revista do Globo. Havia nessa época um visível deslumbramento com o que vinha acontecendo na Capital no decênio anterior. Não por acaso, a legenda da foto abaixo dizia ser esta "uma das paisagens aéreas mais belas da capital gaúcha: o elegante arrabalde Moinhos de Vento com a Hidráulica Municipal ao centro".


  56. A hidráulica 
  57. Foto: Santos Vidarte, Revista do Globo, reprodução
  58. Inaugurada em 1928 pelo prefeito Alberto Bins, com arquitetura inspirada no Palácio de Versalhes e seus jardins, a área limitada pelas ruas 24 de Outubro (ao alto, à esquerda), Doutor Valle (ao alto, à direita), Fernando Gomes (à esquerda, em curva), Hilário Ribeiro (na parte inferior da imagem) e Santo Inácio (à direita) era o símbolo da "vibração e sinfonia de uma cidade moderna, culta e civilizada...".

  59. *
  60. Sobre a constrangedora invasão da Câmara de Vereadores, que perdurou oito longos dias, com direito a liminares a favor e contra, divisão entre vereadores, agressões físicas, nudismo explícito e constrangimentos de toda ordem, veja os relatos da mídia. Os tempos realmente são outros... Redação BrasilAlemanha.

Texto de Sílvio Aloysio Rockenbach

5252 - Imigração Alemã no Rio Grande do Sul





Colonos chegados a São Leopoldo, na década de 1820, tiveram de derrubar o mato 
fechado para fazer suas  plantações e moradias


  1ª etapa (1824-1845)


     Foi a fase mais difícil para quem veio para o Brasil, conhecida com a fase de subsistência. 
Além da dificuldade para pagar a "dívida colonial" referente à viagem para o Brasil e 
o estabelecimento nas novas terras, os alemães tiveram de enfrentar conflitos com os indígenas 
que habitavam as terras, a Guerra da Cisplatina e a Revolta dos Farrapos. Em 1830, a lei 
orçamentária do Império não previa mais recursos para a imigração, dificultando ainda mais 
difícil a vida dos recém-chegados. 


2ª etapa (1845-1870)

Foi a fase da expansão do comércio. Após se estabeleceram e iniciarem 
o processo agrícola, a produção de excedentes deu início às trocas comerciais - 
surge a figura do comerciante de origem alemã. Como somente ele possuía 
os meios de transporte (mulas e barcos) para elvar a produção até Porto Alegre, 
pagava muito pouco aos colonos e vendia a bons preços na capital da província. 
Nessa fase, os imigrantes estabeleceram suas colônias em Feliz, Bom Princípio, 
Estrela, Lajeado, Santa Cruz do Sul,


       Família Winter, de Bom Princípio

[Imigraçao+escola.jpg]
Escola em Estrela, RS
Família Jacobsen, de Venâncio Aires

3ª etapa (1870 em diante)    

A fase do desenvolvimento da industrialização. A acumulação de 

capital dos comerciantes permitiu investimentos no setor 

industrial: cervejarias, fábricas de calçados, olarias, curtumes 

e construção naval. Surgem, nessa época  algumas das principais 

“dinastias” familiares de origem germânica: Ritter,Renner, Mentz, 

Dreher, Sperb, Vontobel, Gerdau... 

Lembra dessas marcas, todas de origem alemã.
                      


     Houveram  imigrantes alemães que, diferente da grande maioria, 
trouxeram consigo capitais para investir, mas eram industriais de menor
cacife financeiro - os mais ricos foram para São Paulo e Rio de Janeiro. 
Foram eles os Rheingantz (1874, Rio  Grande, indústria têxtil) e os 
Neugebauer (1891, Porto Alegre, fábrica de doces e balas). A diferença 
entre as indústria gaúcha e paulista era que a indústria gaúcha tinha 
capital proveniente 
do mercado interno, enquanto na indústria paulista prevaleciam as 
ligações com o mercado externo - principalmente pelo café. 
A arrancada industrial se deu ao mesmo tempo no Rio Grande do Sul 
e em São Paulo, porém, a diferença de capital entre os industriais daqui 
e do centro do país era muito grande. 
Os mais ricos estavam (e estão, até hoje) em São Paulo.

A grande maioria da comunidade alemã continuou sendo de colonos  agricultores, submetidos a grandes dificuldades: precariedade técnica, pouca renda, fracionamento de heranças dos lotes coloniais que já não eram muito grandes - o que causou o êxodo rural em direção ao planalto.



     O desenvolvimento dos imigrantes não foi acompanhado de uma efetiva participação política, a não ser nas Câmaras Municipais nos municípios de colonização alemã.

Somente em 1881, com a Lei Saraiva, os não-católicos e estrangeiros naturalizados tiveram direto a voto. Isso beneficiou os alemães que eram, em sua grande maioria, protestantes. Essa lei não valia, no entanto, para os italianos recém-chegados.

     Abaixo, para efeitos de comparação, segue um levantamento do IBGE sobre a chegada de alemães ao Brasil. Para o Rio Grande do Sul interessam basicamente os dados do século XIX que foi quando a imigração teve como destino o sul do país.




Matéria publicada no blog História e Vestibular

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

5251 - O dia do kerb

Desde que existem as colônias alemãs, acontecem os kerbs. Quase 200 anos se passaram e a festa continua sendo muito parecida com aquilo que sempre foram: um grande sucesso. 
Na pequena cidade de Tupandi o evento atrai perto de 3.000 pessoas no baile principal, chamado de rekerb e realizado na noite de segunda para terça-feira.
Parece, no entanto, que hoje os participantes da festa são mais comportados. Ao menos é isso que se pode depreender do texto abaixo, extraído de uma publicação do início do século XX:

5250 - Os imigrantes Ely em São Sebastião do Caí

João Pedro Gaspar Ely nasceu em 13 de janeiro de 1810 em Manbächel, Birkenfeld, na Renânia Palatinado.e imigrou para o Brasil quando era ainda solteiro. Viveu na região de São Sebastião do Caí e alcançou a avançada idade de 103 anos. Ele tinha o cabelo crespo e preto. Por isso era conhecido por toda a região do Vale do Caí como Pedro Preto.
Casou-se com Cristina Regler e o casal teve nove filhos, com elevado número de descendentes. O que fez o historiador e genealogista Carlos Henrique Hunsche donsiderar que "esse casal forma o tronco mais poderoso dos Ely, sendo São Sebastião do Caí o lugar de onde os descendentes os descendentes se espalharam por todo o Estado e para fora dele.
 Sendo que a primeira a nascer foi Catarina Ely, nascida em 12 de abril de 1831. 
Ela casou com Johan Klein e viveu com ele na localidade de Vigia, hoje situada no interior do município de São Sebastião do Caí. Catarina casou-se em 18 de agosto de 1949, onde ambos morreram, sendo enterrados no cemitério local.

Catarina, a irmã mais velha, teve oito irmãos, sendo que o caçula da família foi Nicolau Ely, o primeiro da família a dirigir-se para Porto Alegre, onde teve sucesso nos negócios. Tanto que construiu o notável edifício Ely, ainda hoje um prédio de grande destaque na capital do estado. Hoje transformado em loja Tumelero, com frente para a estação rodoviária.

5249 - O casal Johan Klein e Catarina Ely

Renato Klein e seus pais Wilibaldo e Helmi Laux Klein em frente à sepultura
de Johan Klein e Catarina Ely, no cemitério da localidade de Vigia

No cemitério da pequena localidade de Vigia, no interior do município de São Sebastião do Caí ainda se encontra a sepultura do casal de imigrantes Johan Klein e Catarina Ely..
Eram pessoas de modestas condições econômicas e culturais, como normalmente aconteceu com os colonos que chegaram à colônia de São Leopoldo entre os anos de 1824 e 1830.

Johan (João) Ely chegou a São Leopoldo (sede da colônia alemã na então província de São Pedro do Rio Grande) no dia 10 de maio de 1829, juntamente com seus irmãos João Pedro Gaspar e João Niicolau. 
João Carlos Ely, que também era irmão dos já citados, chegou no dia anterior.
O pai deles chamava-se Jacob Ely e faleceu um dia antes do embarque da família para o Brasil.

Os Ely cruzaram o Atlântico no veleiro Olbers, que partiu da cidade portuária de Bremen, situada junto ao rio Wear, próxima ao litoral do mar Báltico.  A viagem começou em 26 de setembro de 1828. A chegada ao Rio de Janeiro ocorreu no dia 17 de dezembro do mesmo ano, tendo durado quase três meses.
Em 21 de março de 1829, os irmãos e outros colonos voltaram ao mar para a viagem costeira até Porto Alegre, onde chegaram no começo de maio de 1829.
O pai dos quatro irmãos Ely eram filhos de Jacó Ely e de Gertrudes Hoffmann. Jacó morreu antes da vinda da família para o Brasil, mas sua esposa chegou a São Leopoldo junto com os filhos.

A família imigrante estabeleceu-se, inicialmente, na localidade de Feitoria, próxima à nascente cidade de São Leopoldo, e lá prosperaram. Em 1848, Carlos possuía 25 cabeças de gado e onze cavalos.Pedro era dono de dez cabeças de gado e um engenho de mandioca.
Mas os dois não permaneceram na localidade por muito tempo.

Eles trabalharam como remadores nos rios dos Sinos e Caí e acabaram se transferindo para São Sebastião do Caí, onde devem ter se dedicado à navegação. Provavelmente como donos de barcos.

João Pedro Gaspar Ely, um dos irmãos Ely chegados a São Leopoldo em 1829,   tinha a pele amorenada e cabelos pretos. Razão pela qual ficou conhecido, por toda a colônia de São Leopoldo, como Schwarzer Peter. Ou seja, João Preto. Ele casou com Cristina Regner e fixou-se em São Sebastião do Caí. Morreu em 1913, com 103 anos de idade.
O casal teve dez filhos, começando por uma menina chamada Catarina Ely. A mesma que se encontra sepultada no cemitério de Vigia, ao lado do seu marido João Klein.

João Klein ou Johan Klein, era o quarto filho do casal de imigrantes  Adão Klein e Maria Schabarun,  que estabeleceu-se em São José do Hortêncio. 
Ele nasceu durante a viagem transatlântica até o Rio de Janeiro, em 6 de agosto de 1827. Ele estabeleceu-se em São José do Hortêncio. Sua mãe era Maria Schabarun ainda na Alemanha e ele tinha três irmãos mais velhos.

Do casamento de João Klein e Catarina Ely nasceram quatro filhos, tendo todos eles residido na localidade de Vigia: Mateus Klein, casado com Gertrudes Dily, Jacó Klein, Adão Klein, e o João Klein que casou com Catarina Ely e cuja sepultura pode ainda ser visitada no cemitério de Vigia.

Foto do arquivo pessoal do autor desse blog